Inundações frequentes e colheitas criticamente baixas são apenas dois dos sinais de alerta sobre a mudança climática na Indonésia, que abriga a terceira maior floresta tropical do mundo e uns dos mais altos níveis de diversidade biológica.

Para lançar luz sobre estas questões cruciais, jornalistas de dados criaram o site de notícias Ekuatorial, que oferece as últimas notícias ambientais e mapas interativos engajantes e fáceis de entender dos oceanos, florestas e desastres naturais na Indonésia.

No mês passado, quando fortes chuvas atingiram Jacarta, o Ekuatorial trabalhou com o Indonesian Humanitarian OpenStreetMap, um grupo de voluntários que ajuda na coleta de dados geográficos durante e após desastres humanitários. Esse grupo também estava trabalhando com uma organização do governo local de gestão de desastres, o BPBD. Eles rapidamente repassaram os dados locais para a equipe do Ekuatorial criar um mapa de multicamadas.

A Sociedade de Jornalistas Ambientais da Indonésia (SIEJ, em inglês) e a Earth Journalism Network (EJN) da Internews criaram o Ekuatorial com assistência técnica de ((o)) Ecolab, fundado por Gustavo Faleiros, bolsista do Knight International Journalism Fellowship do Centro Internacional para Jornalistas. Também recebeu o apoio financeiro da David and Lucile Packard Foundation

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Como funciona o Ekuatorial

O Ekuatorial é alimentado por JEO, um tema de WordPress de fonte aberta e plataforma de geojornalismo criado por ((o))EcoLab.

Para criar os mapas, o Ekuatorial primeiro obteu dados de uma variedade de fontes, como governos, ONGs e grupos comunitários.

Então, contrataram cartógrafos de uma empresa chamada Axis Maps, que usou as plataformas de dados geográficos CartoDB e MapBox para desenhar os mapas. Os cartógrafos publicaram os mapas diretamente no JEO. Miguel Peixe, desenvolvedor sênior de ((o))EcoLab, programou o tema JEO para o Ekuatorial e liderou sua implementação.

“Este é um projeto muito avançado, com uma grande rede de jornalistas e muitos dados”, disse Faleiros. “Por isso, resultou em muita inovação ao JEO.” O site da Indonésia foi o primeiro site movido a JEO combinando CartoDB e MapBox. Como resultado da colaboração com o Ekuatorial, JEO também melhorou sua filtragem de conteúdo e lançou uma API para permitir que “a camada de histórias geolocalizadas se situem em outro lugar.”

O site é o mais recente de uma série de colaborações entre a EJN e ((o))EcoLab, incluindo o projeto queniano LandQuest.

Parcerias e sindicalização

A sndicalização de conteúdo é uma parte fundamental da estratégia do Ekuatorial. O Ekuatorial tem mais de uma dezena de publicações parceiras cujas notícias são compartilhados no site. Os parceiros podem compartilhar notícias ambientais urgentes e transmitir perspectivas locais para públicos internacionais. Os usuários também podem sugerir histórias publicadas para o Ekuatorial apresentar no site. O site não publica comunicados de imprensa.

“Um elemento exclusivo deste projeto é a incorporação de pequenos veículos de mídia locais nas regiões mais próximas às mudanças ambientais”, disse o gerente de projeto da Internews, William Shubert. “Nossa esperança é que uma plataforma como o Ekuatorial possa ajudar a amplificar as vozes de jornalistas locais para uma audiência global, usando o site como um serviço de distribuição.”

O recurso de compartilhar um mapa do site oferece aos usuários códigos para incorporar que podem ser usados ​​para publicar mapas do Ekuatorial em outros sites. O Ekuatorial atualiza seus dados com frequência e permite aos usuários fazer o download gratuitamente.

A jornalista indonésia Clara Rondonuwu, que é a coordenadora do projeto Ekuatorial, observa que o site também pode ajudar os jornalistas a encontrar ideias de pauta.

“Todos os mapas estão em camadas com dados ricos, o que também significa que há um diálogo de duas vias no mesmo”, disse Rondonuwu à IJNet: “Os jornalistas podem revelar histórias locais ou detectar problemas que emergem do mapa.”

E isso, disse ela, “gera uma narrativa que é mais compreensível para o público.”

Jessica Weiss, ex-editora-chefe da IJNet, é uma jornalista americana freelancer com base em Buenos Aires.