Os conjuntos de dados modernos são muitas vezes melhor exibidos em um formato milenar: o mapa, segundo Gustavo Faleiros, jornalista e instrutor de mídia ambiental brasileiro.

A maioria dos conjuntos de dados contém informações relacionadas com a localização, tornando-os bons candidatos para mapeamento. “Os mapas também são uma ótima ferramenta para permitir interação com o usuário”, disse Faleiros, “e uma ótima maneira de contar histórias.”

Em 2012, Faleiros, como parte de sua bolsa do Knight International Journalism Fellowship, lançou a plataforma InfoAmazonia, um site de notícias e mapeamento que usa satélite e outros dados disponíveis publicamente para monitorar a floresta amazônica.

Na semana passada, ele liderou um webinário no Google+ para fornecer as informações básicas sobre mapeamento para o jornalismo. Os participantes aprenderam a obter dados a partir de fontes primárias, transformá-los em um formato de exibição e mapeá-los com as ferramentas certas. O webinário, hospedado pelo ICFJ Anywhere, foi apoiado pela Fundação Dow Jones.

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Aqui estão alguns destaques segundo a IJNet:

Há uma riqueza de dados disponíveis

“Os jornalistas e os visualizadores de dados não podem se queixar da falta de fontes sobre as questões ambientais”, disse Faleiros. Décadas de dados estão disponíveis graças à pesquisa científica e observação, e os conjuntos de dados são geralmente acessíveis em formatos abertos.

Faleiros criou o Geojournalism Handbook para ajudar os jornalistas a explorarem fontes de dados geográficos. O manual contém informações sobre como acessar os dados ambientais sobre tudo, de incêndios florestais a emissões de gases de efeito estufa. Também oferece tutoriais sobre como manipular, mapear e visualizar esses dados.

Não há um mapa que possa fazer tudo

Os jornalistas podem escolher entre uma série de formatos diferentes de mapas, que oferecem uma gama de possibilidades visuais. Entre eles:

  • Mapas de pontos exibe múltiplos pontos em uma região. Por exemplo, cada ponto neste maparepresenta uma fonte de água na Tanzânia.

  • Do mesmo jeito, mapas poligonais usam formas para representar os dados de uma região geográfica. Um bom exemplo é este mapa do Texas Tribune, que mostra os locais de eliminação de águas residuais do estado, muitas vezes a partir de operações de fraturamento hidráulico.

  • Mapas Cloropleth usam polígonos com códigos de cores e são úteis para olhar tendências. Estemapa cloropleth de emissões de CO2, por exemplo, usa vermelho onde há mais emissões e verde para mostrar onde há menos emissões.

  • Mapas de calor representam dados como cores, ou “calor”. Você pode ver um exemplo aqui.

  • Mapa de bolha mostra cada ponto de dados como um círculo, cujo tamanho é dimensionado de acordo com o seu valor. Este mapa de bolha mostra a população por município nos Estados Unidos.

  • Mapas cartogramas distorce formas geográficas proporcionais aos dados que estão sendo representados.

Ferramentas para conferir

De planilhas do Google a Fusion Tables e CartoDB, uma série de ferramentas estão disponíveis para gerenciar, analisar e mostrar os conjuntos de dados em forma de mapa. Faleiros compilou esta lista de ferramentas, que resume as vantagens e desvantagens de cada ferramenta, e dá exemplos de como cada uma pode ser usada.

Ele também forneceu uma visão geral de como usar Jeo, o tema de WordPress que alimenta a InfoAmazonia e outros sites de geojornalismo A plataforma Jeo torna possível para sites publicar notícias como camadas de informação em mapas digitais.

Para criar mapas online, Faleiros recomenda que os jornalistas se familiarizem com um número de formatos e habilidades para lidar com informação geográfica, incluindo CSV, XLS ou qualquer formato de tabela com colunas de latitude e longitude; formatos KML/KMZ usados pelo Google Earth ou Fusion Tables; pastas SHP (Shapefile) e GEOTIFF. Também devem saber como “geocodificar” ou localizar informações utilizando ferramentas que leem informações geográficas automaticamente.

Experimente alguns exercícios práticos

Para praticar em diferentes formatos e ferramentas, Faleiros forneceu exercícios sobre criar mapas de pontos e polígonos com KMLfazer mapas com CSV; usar Google Fusion Tables; e usar Google Earth para criar visualizações em 3D.

Para ver o webinário gravado (em inglês), clique aqui. Para acessar a apresentação do webinário (em inglês), clique aqui.

Jessica Weiss é uma jornalista americana com base na Colômbia.

Imagem cortesia do colaborador do OpenStreetMap macrofight no Flickr sob licença Creative Commons